
Quarta edição do evento reuniu 22 palestrantes e representantes de 13 instituições, com demonstrações de tecnologias, apresentação de infraestrutura experimental e debates sobre os próximos passos do programa.
Pesquisas científicas, infraestrutura compartilhada e aplicações tecnológicas para desafios nacionais estiveram no centro do 4º Workshop Brasil 6G, realizado de 20 a 22 de outubro, no Instituto Nacional de Telecomunicações – Inatel, em Santa Rita do Sapucaí (MG). O evento reuniu palestrantes e representantes de 13 instituições para compartilhar avanços das pesquisas sobre as futuras redes móveis, demonstrar soluções desenvolvidas pelo programa e discutir caminhos para dar continuidade à iniciativa.
Realizado pelo Inatel em parceria com a Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP), o encontro reuniu pesquisadores, representantes do governo e profissionais da área em uma programação com palestras, sessões técnicas, apresentação de pôsteres, visitas a laboratórios e demonstrações de projetos em uma fazenda.
Plataforma amplia possibilidades de experimentação
Um dos destaques do encontro foi a Plataforma Multiusuário Brasil 6G, ambiente que permite testar algoritmos, aplicações e soluções de conectividade em condições reais de operação. A infraestrutura compartilhada possibilita validar algoritmos, aplicações e soluções de conectividade considerando desafios que nem sempre podem ser reproduzidos integralmente em simulações.
“A Plataforma Multiusuário foi concebida e criada para permitir que pesquisadores de todo o mundo possam testar suas ideias em um ambiente real. Ela é o teste definitivo para resolver um problema de conectividade no nosso país”, explica Luciano Leonel Mendes, professor do Inatel e coordenador do Projeto Brasil 6G.
Para o professor, o workshop também representou a consolidação dos avanços alcançados ao longo dos últimos dois anos de pesquisa. “Esse workshop é muito importante porque coroa todas as ações que nós realizamos em termos de pesquisa nos últimos dois anos. Com isso, pudemos comprovar que as pesquisas estão direcionadas para o mercado e que de fato vão resolver os problemas que nós estamos enfrentando em termos de conectividade e de transformação digital de setores extremamente importantes para a nossa economia. ”, afirma.
Demonstrações aproximam pesquisa e aplicações
No primeiro dia do evento, nove projetos foram apresentados em demonstrações na Fazenda Delta, com soluções para conectividade em áreas remotas, monitoramento de máquinas e animais, detecção de incêndios e pragas, mapeamento de plantações com drones e automação da irrigação.
Luciana Romani, pesquisadora da Embrapa Agricultura Digital, destacou a importância da conectividade para ampliar o uso de tecnologias digitais no campo. “Temos passado por um grande avanço no desenvolvimento de tecnologias digitais que estão sendo empregadas no campo, e para isso a gente precisa cada vez mais de tecnologia de conectividade. Nesse sentido, são extremamente importantes as redes 6G no desenvolvimento da tecnologia e sua aplicação na área rural”, afirma.
Cooperação e continuidade das pesquisas
A programação também abordou políticas públicas, infraestrutura computacional e formação de profissionais. Representantes do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) apresentaram iniciativas para expandir a infraestrutura digital e fomentar o desenvolvimento de tecnologias estratégicas.
Alessandro Augusto Nunes Campos, coordenador-geral de Tecnologias de Semicondutores do Ministério, destacou a importância de o país desenvolver soluções próprias e formar profissionais para atuar na área: “Um país que se pretende ser grande nessa área precisa sempre avaliar e desenvolver a sua própria tecnologia e formar os seus melhores recursos humanos”, afirma.
Michelle Wangham, diretora adjunta de P&D na RNP, ressaltou a colaboração entre universidades e centros de pesquisa como parte essencial do programa. “Acreditamos no potencial dessas universidades e dessa colaboração e dessa rede acadêmica que se constitui para o desenvolvimento dessas tecnologias”, afirma.
O workshop reforçou o papel da cooperação entre instituições para avançar nas pesquisas e aproximar o conhecimento científico de aplicações práticas, contribuindo para o desenvolvimento de tecnologias nacionais e para a preparação do país para as futuras redes móveis. A quarta fase do projeto está prevista para começar em março de 2027, com duração de dois anos e foco na integração entre experimentação, computação de alto desempenho e inteligência artificial.


