Inatel recebe etapa regional da Olimpíada Brasileira de Satélites com desafio que leva projetos à estratosfera

Desenvolver um satélite, testar sua resistência, apresentar uma missão para especialistas e, ao final, acompanhar a validação do projeto em uma missão rumo à estratosfera. Essa será a experiência vivida por estudantes de diferentes níveis de ensino durante a etapa regional da 3ª Olimpíada Brasileira de Satélites (OBSAT), que será realizada nos dias 8 e 9 de agosto no Instituto Nacional de Telecomunicações – Inatel, em Santa Rita do Sapucaí (MG). Além de sediar a competição, o Instituto participa com equipes do CubeSat Design Team, equipe de desenvolvimento e competição em minissatélites. 

A OBSAT é uma competição científica bianual, realizada com o apoio do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), que desafia estudantes a desenvolver pequenos satélites, conhecidos como smallsats, para cumprir missões inspiradas em aplicações reais do setor aeroespacial. 

Na etapa regional, doze equipes da região Sudeste, distribuídas entre três categorias (Ensino Fundamental II, Ensino Médio ou Técnico e Ensino Superior), participarão de uma série de avaliações técnicas de seus projetos. Durante a competição, os protótipos passarão por inspeções e testes para verificar aspectos como robustez mecânica, resistência a condições adversas, funcionamento dos sistemas eletrônicos e capacidade de transmissão de dados. 

As equipes também apresentarão suas missões para uma banca avaliadora, em formato de pitch, demonstrando as soluções desenvolvidas e os desafios enfrentados ao longo do projeto. Os projetos com melhor desempenho em cada categoria avançam para a Etapa Nacional (Fase 04), onde terão a oportunidade de validar suas soluções em uma missão real, com o lançamento dos protótipos em um balão estratosférico. 

A proposta da olimpíada vai além da construção de protótipos e incentiva o desenvolvimento de competências técnicas e multidisciplinares entre os participantes. Para Evandro Vilas Boas, professor e coordenador do CubeSat Design Team do Inatel, “a OBSAT é uma competição desafiadora ao trazer os desafios da área aeroespacial através de uma competição que permite alunos de ensino médio, técnico e superior idealizar e implementar uma missão satelital, bem como testá-lo de forma controlada através das solturas em balão estratosférico, na Fase 03, e em lançamento sub-orbital, na Fase 04. Com isso, os alunos podem experimentar os desafios da área, descobrindo vocações e, o mais importante, ver que os conhecimentos específicos de seu curso em engenharia são necessários ao setor espacial.” 

A programação aberta ao público será realizada no primeiro dia do evento, sábado (8), das 8h às 17h. A agenda inclui minicursos sobre desenvolvimento de satélites e aplicações em Internet das Coisas (IoT), palestras sobre visão computacional aplicada ao monitoramento ambiental e sobre a participação na OBSAT, além da Mostra Aberta de Satélites. A iniciativa busca disseminar o conhecimento em tecnologia aeroespacial e aproximar estudantes, professores e entusiastas das experiências práticas desenvolvidas durante a competição. 

Histórico vitorioso na competição

O Inatel participa da Olimpíada Brasileira de Satélites desde sua primeira edição e chega à etapa regional de 2026 como campeão invicto em sua categoria. Nas edições de 2023 e 2025, as equipes Priceless Brain e Lorentz's Cage conquistaram o título nacional. Neste ano, o Instituto participa da etapa regional com quatro equipes do CubeSat Design Team. Os projetos exploram diferentes aplicações para os CubeSats, incluindo monitoramento ambiental, inteligência artificial embarcada, tecnologia LoRa (Long Range) e outras soluções voltadas a desafios reais. 

Uma das equipes é a Karawara, formada pelos alunos Rafael Olímpio Amaro, Rodrigo de Carvalho Andrade, Allisson Machado de Andrade e Álvaro Sampaio Careli. O grupo desenvolveu um CubeSat para o monitoramento de incêndios florestais. Equipado com inteligência artificial embarcada, o sistema captura imagens de áreas de vegetação, identifica focos de desmatamento e transmite as informações para estações em solo, contribuindo para o monitoramento ambiental. 

Já a equipe Samaúma, composta pelos alunos Daniele Letícia Pereira Sousa e Mateus Ananias Duarte Lima, apresenta um CubeSat desenvolvido para identificar e mapear pistas aéreas clandestinas na Amazônia. O projeto utiliza uma câmera integrada e inteligência artificial para analisar as imagens capturadas durante a missão, enquanto monitora parâmetros do voo e transmite os dados para validação da solução em ambiente operacional. 

A equipe WanderLust, formada pelos alunos Júlio César Corrêa e Gabriel Gregório Gabriel, propõe o uso de um CubeSat para o monitoramento de corpos hídricos. A solução utiliza câmeras, sensores embarcados e processamento de imagens para acompanhar o comportamento de rios ao longo do tempo, permitindo identificar situações de cheia, seca ou risco de transbordamento e auxiliando no acompanhamento de eventos hidrológicos. 

Por fim, a equipe GeoScanSat, formada pelos alunos Lívia Cecília Gomes Silva, Lara Conte Gomes e Gustavo Pivoto Ambrósio, desenvolveu um projeto voltado ao monitoramento de garimpos ilegais em regiões florestais. A proposta integra sensores para análise da qualidade da água, comunicação via tecnologia LoRa e inteligência artificial embarcada para apoiar na fiscalização de atividades ilegais em áreas florestais. 

O histórico de resultados na competição reforça o amadurecimento do CubeSat Design Team e evidencia a continuidade do trabalho desenvolvido pelo Inatel na formação de talentos para o setor espacial. Segundo Evandro, esse percurso também fortalece a preparação das novas equipes para os desafios da edição de 2026. 

“Nosso time de competição teve a alegria de vencer a etapa nacional das duas primeiras edições, aprender muito no processo, visitar instalações militares dedicadas ao lançamento de satélites como o Centro de Lançamento da Barreira do Inferno (CBLI) em Natal. Nessa terceira edição, quatro novos times vão participar e competir entre si pela vaga na final, estamos animados e certos que o Inatel estará representado na Fase 04. E quem sabe, seremos tricampeões”, completa.