Presidente da Motorola Brasil fala sobre futuro das telecomunicações e formação de engenheiros no Inatel

O presidente da Motorola Brasil, Rodrigo Vidigal, esteve no Inatel, na última sexta-feira (13), para participar da cerimônia de colação de grau dos cursos de engenharia. O executivo foi homenageado como paraninfo da turma formanda.

Com mais de três décadas de atuação no setor de telecomunicações, Vidigal acompanhou de perto algumas das principais transformações tecnológicas que marcaram a evolução da conectividade no Brasil, desde a expansão da telefonia móvel até a chegada das redes 5G. Durante a visita ao campus, o executivo também conheceu parte da infraestrutura de pesquisa e desenvolvimento do Instituto.

Em entrevista à equipe da Assessoria de Comunicação e Marketing (ASCOM) do Inatel, Vidigal falou sobre a evolução das telecomunicações nas últimas décadas, os impactos da Inteligência Artificial no setor e as perspectivas para os profissionais que estão entrando no mercado. Confira a entrevista:

Como você avalia a evolução das telecomunicações no Brasil ao longo dos anos?

Eu trabalho com telecomunicações desde que eu me formei, há 30 anos, e a gente passou por uma transformação muito grande no Brasil. Há 30 anos, não existia celular, a gente tinha um telefone fixo. 

Nós víamos filmes de ficção científica com as pessoas fazendo videochamadas e imaginava que isso ia ser uma revolução para daqui 200 anos, e hoje a gente tem um celular com rede 5G fazendo ligação, videochamada e usando tudo o que você precisa, um computador na palma da sua mão.

Então, é uma revolução fantástica, que também permitiu o acesso da população toda. Telefonia era um benefício restrito às camadas mais altas da sociedade, hoje ele é acessível a toda a população. Então, [as telecomunicações] universalizou, permitiu realmente que as pessoas possam melhorar de vida, tenham negócios como transporte de carros, como entrega de comida, tudo isso possível, emprego sendo gerado através do celular e das telecomunicações, sem falar na banda larga, na TV, enfim, tudo o que evoluiu.

Durante a visita ao campus, Rodrigo Vidigal também conheceu as instalações do Centro de Competência Embrapii Inatel em Redes 5G e 6G – xGMobile e do Inatel Competence Center (ICC), onde são conduzidos projetos de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (P&DI) e pesquisas de fronteira voltadas a diferentes setores da indústria.

Rodrigo Vidigal conheceu a infraestrutura do Inatel na última semana.

Qual a importância do Inatel para o desenvolvimento do setor de telecomunicações, considerando as pesquisas, a formação de talentos e as parcerias com o mercado?

Fiquei muito encantado com tudo que eu vi aqui no Inatel, com as instalações, com os trabalhos, com os projetos que me foram apresentados, realmente muita coisa boa, muita coisa de ponta que nós temos no Brasil, a gente tem que ter muito orgulho do que a gente tem aqui no Inatel.

Eu acho que um Instituto como esse, que permite a formação de jovens cientistas, você poder desenvolver esse conhecimento acadêmico-científico no Brasil, sem precisar sair do país, poder trabalhar em pesquisa e desenvolvimento no Brasil, poder criar soluções para a indústria nacional e mundial, não tem preço. É um instituto que a gente tem que valorizar muito e apoiar muito para que ele possa crescer e cada vez dar mais acesso ao número maior de estudantes no nosso país. A gente precisa de mais institutos Inatel em todo o nosso país.

Quais as perspectivas para a área de telecom nos próximos anos, principalmente com a evolução da Inteligência Artificial?

Olha, o que a gente viu de evolução até agora, ela vai se transformar em uma parábola ainda mais acentuada com a Inteligência Artificial. Os ganhos de produtividade são inquestionáveis em todos os sentidos, em toda a indústria, em todo o comércio, em todos os segmentos da sociedade. Então, a gente vai ver ganhos cada vez maiores.

Temos que realmente estudar, aprender, entender como a Inteligência Artificial pode facilitar a nossa vida, a gente não ficar à parte dessa revolução. Então, eu vejo muita gente falando, mas que não procura entender, não usa no dia a dia as ferramentas. A gente precisa estimular as pessoas a usarem. É uma revolução que vai transformar a sociedade mundial e o Brasil precisa correr para não ficar atrás dessa mudança que vai haver em relação à IA.

Além de ser o paraninfo da turma que se formou no fim de semana, Vidigal também comentou sobre o futuro do mercado de trabalho e a contribuição do Inatel para o desenvolvimento das telecomunicações ao longo dos 60 anos de história da instituição.

Executivo foi homenageado como paraninfo da turma formanda.

Que conselho você daria aos jovens que estão entrando no mercado de trabalho, especialmente nas áreas de tecnologia e telecomunicações?

Telecom é o futuro, não tenho dúvida nenhuma. Acho que essas transformações todas vão mudar muito o que a gente vive na nossa sociedade. A sociedade daqui a 50 anos será completamente diferente da que a gente tem hoje. O que a gente precisa é que as pessoas continuem inovando, desenvolvendo.

O que eu digo para minhas filhas? Trabalhem, estudem, se esforcem. Quem se esforçar mais vai se diferenciar no mercado. Acho que esse é o grande conselho que eu posso dar. Vamos trabalhar, vamos estudar, vamos buscar antecipar as mudanças, as inovações. A gente não pode ficar esperando as coisas acontecerem. A gente precisa se movimentar. E o Brasil tem muita oportunidade de crescimento. A gente precisa capturar essa oportunidade para o nosso país crescer, se tornar uma potência, dar mais oportunidade para todos os brasileiros. E que a gente possa pensar em desenvolver inovação, mas também desenvolver a nossa sociedade, a forma como a gente se relaciona.

O Inatel criou o primeiro curso de engenharia de telecomunicações do Brasil e completa 60 anos formando profissionais na área. Diante da evolução tecnológica, o que podemos esperar do engenheiro de telecomunicações no futuro? 

Durante toda a minha carreira eu trabalhei em várias empresas, sempre em telecomunicações. Primeiro na parte das operadoras, a gente pode lançar o celular pré-pago no Brasil, a gente participou também do lançamento do celular digital. Depois a gente trouxe, já do lado do fabricante, o primeiro smartphone Android para o país. E sempre, em todos esses projetos, tinha o engenheiro de telecomunicações do Inatel na empresa que eu trabalhava.

Então vocês, o Inatel forma profissionais de excelência, que a gente busca também nas grandes empresas de telecomunicações do país aproveitar, nos ajuda nos grandes projetos. E é um profissional que faz muita diferença hoje no desenvolvimento da tecnologia no nosso país. Então sigam buscando se profissionalizar cada vez mais, enriquecer cada vez mais esse conhecimento, participar dos projetos. Tem muita oportunidade aqui. O estudante que está aqui, se ele aproveitar a oportunidade, ele vai sair muito bem formado, com um caminho muito bonito pela frente.

A presença de Rodrigo Vidigal no  Inatel reforça a conexão entre a formação de engenheiros, a pesquisa aplicada e o desenvolvimento da indústria de telecomunicações no Brasil. Ao longo de seis décadas, o Instituto tem contribuído para a evolução do setor por meio da formação de profissionais e de projetos de pesquisa e inovação em parceria com empresas e instituições.