A colaboração entre instituições de ensino e pesquisa tem ampliado as possibilidades de investigação científica no Inatel, especialmente em áreas que conectam engenharia, saúde e tecnologias digitais. Esse movimento ganhou um novo capítulo com a vinda da doutoranda Clara Pérez de los Cobos Cintas, pesquisadora da Université Grenoble Alpes (UGA), na França, que realizou parte de sua pesquisa no eHealth Innovation Center, laboratório temático do Inatel voltado ao desenvolvimento de tecnologias médicas.
A visita integra uma parceria internacional entre o Inatel, a Université Grenoble Alpes e a VinUniversity, no Vietnã, com o objetivo de fomentar pesquisas conjuntas, intercâmbio acadêmico e atuação colaborativa entre pesquisadores e estudantes de pós-graduação.
No Inatel, Clara contou com o apoio dos professores Filipe Bueno e Felipe Augusto Figueiredo em uma frente de pesquisa que une engenharia biomédica, realidade aumentada, inteligência artificial e formação em saúde. Um dos coorientadores da pesquisadora no Brasil, Filipe Bueno explica que o compartilhamento de informações entre as instituições reforça as pesquisas desenvolvidas em cada laboratório e amplia as possibilidades de colaboração científica. “A proposta é que o conhecimento gerado em um ambiente possa contribuir com os avanços dos demais”, afirma.
O sistema desenvolvido pela doutoranda utiliza óculos de realidade aumentada e um manequim obstétrico para simular situações de pressão durante o parto, com sons, interações e cenários que aproximam o treinamento da realidade do atendimento. Segundo Filipe Bueno, o objetivo central da pesquisa é estudar o efeito do estresse em profissionais em formação e compreender como esse fator pode afetar a atuação durante procedimentos. A proposta final é contribuir para que esses profissionais sejam treinados em situações de pressão antes de vivenciarem cenários reais.

Sistema utiliza óculos de realidade aumentada e um manequim obstétrico para simular situações de pressão para preparar profissionais da saúde.
Durante a passagem pelo Brasil, a pesquisadora realizou uma sessão experimental na FAI - Centro de Ensino Superior em Gestão, Tecnologia e Educação, com a participação de 28 estudantes de enfermagem em um curso com uso de realidade aumentada. Assim também, coletou dados com 14 estudantes e professores especializados em enfermagem e obstetrícia na Universidade Federal da Paraíba (UFPB), em João Pessoa. Para Clara, a coleta de dados em outro país contribui para ampliar o alcance da tese. “Uma amostra maior de participantes, em um país diferente, torna os resultados da tese mais robustos e as conclusões muito mais generalizáveis em escala global”, explica.
A experiência também permitiu observar diferenças entre os contextos brasileiro e europeu, especialmente em relação aos procedimentos, à formação dos profissionais e às práticas adotadas durante o parto. Para Filipe Bueno, esse contato com a realidade brasileira foi importante para o desenvolvimento da pesquisa, pois levou à adaptação do protocolo criado inicialmente para a Europa e à inclusão de novas linhas no sistema, considerando características do público brasileiro.
Para Clara, a realidade aumentada pode contribuir diretamente para a formação de estudantes e profissionais da saúde. “Ela permite que estudantes e profissionais da saúde pratiquem cenários clínicos realistas e de alta complexidade em um ambiente seguro, reduzindo significativamente os riscos associados ao aprendizado em pacientes reais”, afirma.






