Pesquisadora do Inatel retorna da Alemanha para aplicar estudos em redes 5G e 6G

Vanessa Rennó atuou por dois meses como pesquisadora visitante no Fraunhofer HHI, em iniciativa de internacionalização do xGMobile

A professora e pesquisadora do Inatel, Vanessa Rennó, retornou ao Brasil após dois meses como pesquisadora visitante no Fraunhofer HHI, na Alemanha. A atividade faz parte da colaboração entre o Centro de Competência Embrapii Inatel em Redes 5G e 6G - xGMobile e o instituto alemão, com foco no avanço de pesquisas relacionadas às próximas gerações de redes móveis.

Durante o período, Vanessa acompanhou linhas de pesquisa desenvolvidas no Fraunhofer HHI e aprofundou estudos em temas com aplicação direta em redes 5G e 6G, como sistemas MIMO distribuídos, algoritmos para alocação de recursos, análise de canais de comunicação e ferramentas voltadas à experimentação em redes padronizadas.

Segundo a professora, a experiência evidenciou a conexão entre as pesquisas conduzidas no Inatel e os estudos realizados internacionalmente. “Foi um período de aprendizado dentro da área em que estamos trabalhando, mas também com bastante sinergia com o que já desenvolvemos no xGMobile em redes 5G e 6G”, afirma Vanessa.

Conhecimento aplicado ao xGMobile

Com o retorno ao Inatel, a pesquisadora passa a aplicar os conhecimentos adquiridos na Alemanha às frentes de pesquisa do Inatel. Entre os próximos passos estão a instalação de ferramentas em servidores do Instituto, a extração e análise de informações de canal e a integração desses dados com pesquisas já desenvolvidas pela equipe.

Uma das ferramentas estudadas por Vanessa foi a OpenAirInterface (OAI), plataforma open source utilizada em experimentações com redes 5G. A solução permite simular elementos de uma rede celular, como estações rádio-base e dispositivos de usuário, além de extrair estatísticas de canal. No Inatel, a ferramenta poderá apoiar estudos sobre a comunicação entre sistemas com diferentes formas de operação, além de contribuir para pesquisas sobre canais reais em redes 5G e 6G. A proposta também dialoga com estudos em ISAC, sigla em inglês para Integrated Sensing and Communication, área que integra comunicação e sensoriamento e é considerada uma das frentes em desenvolvimento para o 6G.

Pesquisa para redes mais eficientes

A atuação no Fraunhofer HHI também envolveu o aprofundamento em conceitos matemáticos aplicados a redes móveis, como espaços métricos, espaços de Hilbert, teoria de ponto fixo e mapeamento de interferência. Esses temas podem ser utilizados no desenvolvimento de algoritmos voltados a sistemas MIMO distribuídos, previstos para arquiteturas avançadas de 5G e 6G.

Na prática, essas pesquisas buscam otimizar as redes, especialmente em cenários com maior número de antenas, usuários e recursos conectados. O objetivo é ampliar a eficiência espectral, reduzir a complexidade dos sistemas e contribuir para comunicações com menor latência.

Vanessa explica que, em redes cada vez maiores, a atualização constante das informações instantâneas do canal pode aumentar a complexidade e comprometer o desempenho do sistema. Por isso, uma das linhas estudadas considera o uso de estatísticas de longo prazo para apoiar decisões de alocação de recursos e potência. “A ideia é verificar a viabilidade desses algoritmos para modelos de canais mais generalizados, mais complexos, mais rápidos e correlacionados, que é o que a gente espera para as próximas gerações”, afirma.

Parceria internacional

A ida da professora à Alemanha teve origem em uma missão da Embrapii realizada em 2025, que abriu caminho para a aproximação entre o Inatel e o Fraunhofer HHI. A iniciativa reforça a estratégia de internacionalização do Centro de Competência e amplia as possibilidades de colaboração em pesquisas aplicadas às redes de próxima geração.

Para Vanessa, a experiência também mostrou o alinhamento entre as pesquisas desenvolvidas no Brasil e no exterior. “A gente está bem alinhado. No desenvolvimento, na forma de trabalho, nas reuniões e na maneira de lidar com os problemas, achei tudo muito similar”, destaca.

Com a continuidade da parceria, o Inatel avança na conexão entre pesquisa teórica, experimentação prática e desenvolvimento tecnológico, contribuindo para soluções que poderão apoiar a evolução das redes 5G e 6G nos próximos anos.