Pesquisa propõe uso de drone com LiDAR e conectividade de longo alcance para mapeamento de áreas rurais

Proposta busca atender aplicações que demandam coleta e transmissão de grandes volumes de dados em regiões rurais e remotas, onde a cobertura de redes móveis tradicionais ainda é restrita ou inexistente.

Um drone capaz de identificar falhas em plantações, mapear com precisão grandes extensões rurais ou de monitorar infraestruturas críticas. Essa é a proposta de uma pesquisa desenvolvida no Inatel, no âmbito do projeto Brasil 6G. Pesquisadores desenvolveram uma arquitetura inovadora que integra as tecnologias LiDAR, TV White Spaces (TVWS) e processamento de borda para viabilizar aplicações de sensoriamento avançado em áreas com conectividade limitada.

A pesquisa é conduzida por pesquisadores do Inatel e apresenta uma arquitetura que integra veículos aéreos não tribulados, os drones, equipados com sensores LiDAR, a uma infraestrutura de comunicação sem fio de longo alcance. A proposta busca atender aplicações que demandam coleta e transmissão de grandes volumes de dados em regiões rurais e remotas, onde a cobertura de redes móveis tradicionais ainda é restrita ou inexistente.

O sensor LiDAR (Light Detection and Ranging) permite a coleta e geração de mapas tridimensionais com alta precisão espacial, conhecidos como nuvem de pontos. Quando embarcada em um drone, a tecnologia viabiliza o levantamento detalhado do relevo e da vegetação, com a criação de modelos digitais de superfície, de terreno, de altura da cobertura vegetal, entre outras informações. Esses dados podem ser aplicados em atividades como agricultura de precisão, monitoramento ambiental e análise de grandes áreas.

Embora a arquitetura tenha sido validada inicialmente em cenários como a agricultura de precisão, seu uso pode ser estendido a diferentes setores da economia. Na mineração, por exemplo, a solução pode ser aplicada no mapeamento de áreas operacionais, no monitoramento de taludes e no acompanhamento de alterações topográficas. Em energia, a solução pode ser empregada para apoiar a inspeção de linhas de transmissão, usinas e áreas de geração distribuída, enquanto, em óleo e gás, pode ser utilizada no monitoramento de faixas de dutos, instalações remotas e áreas de difícil acesso.

Arquitetura também pode ser aplicada em outros setores da economia.

Para viabilizar a transmissão e análise dos dados coletados em tempo real, a arquitetura incorpora enlaces de conectividade baseados em TVWS, que utilizam canais ociosos do espectro de radiodifusão na faixa de UHF (470-698 MHz). Essa abordagem permite conexões de longa distância, com cobertura de dezenas de quilômetros, sem a necessidade de espectro licenciado, tornando a solução econômica e tecnicamente adequada para áreas com baixa densidade de infraestrutura de telecomunicações.

Além da conectividade, o sistema prevê o processamento em borda das informações em estações remotas. Esse processamento aplica algoritmos de filtragem e extração de características relevantes, reduzindo significativamente o volume de dados a ser transmitido pela rede, tornando a operação mais eficiente e compatível com cenários de conectividade limitada. Os dados processados podem então ser enviados para servidores centrais ou plataformas em nuvem, onde serão utilizados para análise, armazenamento e apoio à tomada de decisão.

Com a integração entre drones, sensores LiDAR, processamento em borda e redes de longo alcance, a pesquisa reforça o papel da conectividade como elemento central para o avanço de aplicações tecnológicas em áreas remotas e amplia a atuação do Inatel em projetos de pesquisa aplicada voltados a desafios estratégicos do país.

A proposta está inserida no contexto das atividades do Brasil 6G, iniciativa que reúne instituições de pesquisa com o objetivo de desenvolver tecnologias além do 5G e preparar o ecossistema nacional para as futuras gerações de redes móveis. No âmbito do projeto, a pesquisa contribui para o estudo de arquiteturas híbridas de rede, que integram diferentes tecnologias de acesso (celular, satélite, TVWS, WiFi) de forma inteligente, combinando sensoriamento avançado, processamento distribuído e conectividade adaptada às características do território brasileiro.