O curso de Engenharia de Telecomunicações do Instituto Nacional de Telecomunicações – Inatel lançou, no último semestre, a disciplina “Projeto Integrador de Redes e Sistemas de Telecomunicações”. A iniciativa inaugura uma trilha contínua de disciplinas integradoras, voltadas à aplicação prática e articulada dos conteúdos teóricos aprendidos ao longo da graduação.
A proposta consolida uma inovação curricular estratégica e reforça a filosofia pedagógica do Inatel, baseada no “aprender fazendo”, característica das principais escolas de engenharias do mundo. A disciplina integra conhecimentos de circuitos, programação, sistemas embarcados, redes, Internet das Coisas (IoT), gestão de projetos, empreendedorismo e aplicações, transformando conteúdos antes abordados de forma isolada em competências práticas alinhadas a cenários reais do mercado.
Com uma lógica de integração curricular vertical e horizontal, a disciplina desafia o estudante a empregar os aprendizados adquiridos até o quinto período da graduação no desenvolvimento de soluções IoT completas, da camada física à camada de aplicação. Os projetos são orientados por uma metodologia de avaliação estruturada em cinco momentos complementares, que estimula autonomia, planejamento, pensamento crítico e melhoria contínua.
Para o professor Marcelo Marques, coordenador do curso de Engenharia de Telecomunicações, as disciplinas integradoras fortalecem a compreensão da Engenharia como agente de transformação social. “A proposta amplia a capacidade dos alunos de aplicar tecnologias para solucionar problemas reais do dia a dia. Esses fundamentos de integração e desenvolvimento de soluções também passam a ser incorporados em outras disciplinas, potencializando o aprendizado por meio de projetos”, destaca.

A banca avaliadora foi composta por professores e egressos do Inatel, responsáveis por analisar os projetos desde a aplicação dos conceitos da disciplina até sua viabilidade de mercado.
A relevância da disciplina também é reconhecida por profissionais do mercado que participaram do processo avaliativo. Para Cristiani Guimarães, gerente de PDI em Software do Inatel e avaliadora da banca final na área de Software e Firmware, a iniciativa tem papel estratégico na formação dos estudantes. “A disciplina promove de forma efetiva a integração dos conhecimentos adquiridos ao longo do curso e estimula o desenvolvimento de novas competências por meio de projetos práticos alinhados às demandas reais do mercado, aproximando o ambiente acadêmico da realidade profissional”, afirma.
Soft skills, avaliação contínua e conexão com inovação
Além da formação técnica, a disciplina contempla o desenvolvimento estruturado de soft skills essenciais ao engenheiro contemporâneo. Os critérios de avaliação incluem competências como trabalho em equipe, liderança, gestão de conflitos, organização de cronogramas, tomada de decisão conjunta e comunicação assertiva, reforçadas por relatórios técnicos, apresentações orais, documentação detalhada e demonstrações práticas.
Na percepção dos alunos, a experiência amplia a compreensão sobre a atuação profissional. A estudante Lindsey Mariane Souza e Silva destaca que a disciplina proporcionou uma visão mais completa do desenvolvimento de projetos. “Passei a entender melhor como as soluções se integram a outros dispositivos, sistemas e serviços, indo além do desenvolvimento isolado e me aproximando da forma como os projetos são conduzidos no mercado”, relata.
O processo avaliativo contínuo, com feedback estruturado, estimula a análise de requisitos, a identificação de riscos e a proposição de soluções inovadoras, além de considerar os impactos sociais, culturais, ambientais e econômicos associados às soluções de engenharia, em conformidade com as diretrizes nacionais de formação.
De acordo com o professor Evandro Vilas Boas, responsável pelo planejamento e desenvolvimento da disciplina, o projeto permite que os estudantes vivenciem um ambiente ativo de inovação.
“Essa disciplina é resultado de um processo de preparação e capacitação que aconteceu ao longo dos últimos três anos, viabilizado pelos ambientes dos laboratórios temáticos e pela parceria entre o Inatel e a Laurea University of Applied Sciences, da Finlândia, por meio do projeto HeiComp. Essas experiências permitiram construir um modelo de ensino alinhado às demandas reais do mercado de Engenharia”, afirma.
A integração entre os conteúdos possibilita a participação em competições nacionais e internacionais de IoT, a continuidade dos projetos para apresentação na FETIN, publicações em congressos, ingresso em programas de iniciação científica e a implantação de soluções no campus.
Para o aluno Lucca Ribeiro Zogbi, a experiência vai além do aprendizado técnico. “A disciplina contribuiu para o meu desenvolvimento técnico e comportamental, mas também para me desenvolver humanamente, ao aprender a trabalhar em equipe e a ajudar uns aos outros em momentos de dificuldade”, avalia.






