O Instituto Nacional de Telecomunicações - Inatel realizou, nesta quinta-feira (25), o Workshop de Comunicações Via Satélite, LEO, NTN e 5G/6G. Com uma proposta de abordar as possibilidades e o papel das comunicações via satélite na evolução das redes móveis e na integração entre infraestruturas terrestres e não terrestres, o evento reuniu especialistas, empresas e entidades do setor.
A programação abordou temas como redes NTN, sistemas LEO/MEO, aplicações satelitais para setores estratégicos, desafios de espectro e regulação, oportunidades para o Brasil no setor satelital, provedores regionais de internet e TV 3.0 via satélite. O encontro também reforçou a importância da aproximação entre academia, indústria e entidades do setor para o desenvolvimento de novas soluções em conectividade.
Para o diretor do Inatel, Carlos Nazareth Motta Marins, a comunicação via satélite ocupa um papel relevante no avanço das telecomunicações, especialmente em um país de dimensões continentais como o Brasil. Segundo ele, a integração entre satélites e redes terrestres deve se intensificar nos próximos anos. “Estamos constantemente discutindo o avanço das telecomunicações, e um dos capítulos importantes nessa discussão é a comunicação via satélite”, destacou Nazareth. “O satélite e as redes terrestres se integram cada vez mais”, completa.
Satélites como complemento às redes terrestres
Um dos pontos centrais do evento foi a complementaridade entre as redes terrestres e satelitais. As discussões apontaram que a comunicação via satélite já atua como parceira das redes convencionais, especialmente em regiões rurais, localidades remotas ou áreas onde a infraestrutura terrestre ainda não chega com qualidade.
O tema também foi abordado pelo presidente da Associação Brasileira das Empresas de Telecomunicações por Satélite - ABRASAT, Sérgio Maia. Segundo ele, o debate atual ultrapassa a comunicação via satélite de forma isolada e passa a envolver a integração de diferentes redes. “O importante para o usuário final é estar conectado. Não importa se é por rede terrestre, fibra óptica ou satélite”, afirmou. Para Maia, a evolução tecnológica ampliou as aplicações satelitais, que deixam de ser vistas apenas como alternativa para áreas sem cobertura e passam a complementar redes, serviços e aplicações em diferentes cenários.
O diretor-presidente da ABRINT - Associação Brasileira de Provedores de Internet e Telecomunicações, Breno Vale, também reforçou essa perspectiva ao destacar as oportunidades para os provedores regionais de internet. Para ele, os satélites de baixa órbita podem complementar a atuação desses operadores em locais onde a fibra óptica ainda não chega. Segundo Vale, a tecnologia abre uma janela importante para ampliar o atendimento em áreas remotas, ribeirinhas, escolas e outras regiões ainda sem conectividade adequada.
Regulação e oportunidades para o Brasil
A agenda regulatória também esteve entre os temas discutidos. Especialistas abordaram desafios ligados ao uso do espectro, segurança jurídica, além da adequação de soluções globais à realidade brasileira. As discussões reforçaram que a evolução das redes satelitais exige avanço técnico, ambiente regulatório adequado, formação profissional e integração entre diferentes atores do setor.
Em testes desde 2025, a TV 3.0 começou a ser implantada no país neste ano. Durante o Workshop, a oferta da DTV+ via satélite foi um dos temas apresentados como parte do processo de modernização da radiodifusão. A tecnologia possui potencial para integrar transmissão terrestre e satelital, ampliar a distribuição de sinal e oferecer novas experiências ao usuário.
De acordo com o presidente do Sindicato Nacional das Empresas de Telecomunicações por Satélite - SINDISAT, Fábio Alencar, o satélite continuará tendo papel relevante na transmissão e distribuição do sinal de televisão no novo padrão. Segundo ele, a TV 3.0 deve ampliar o nível de interação do público, aproximando a experiência da televisão da navegação em ambientes digitais.
As discussões realizadas ao longo do workshop reforçaram que a conectividade do futuro dependerá da integração entre diferentes tecnologias, modelos de negócio e ambientes regulatórios. Ao reunir representantes da academia, da indústria e de entidades do setor, o Inatel contribui para ampliar o debate sobre o papel das comunicações via satélite no avanço das telecomunicações e na construção de soluções capazes de atender às demandas de conectividade do país.






