OpenRAN@Brasil apresenta protótipo nacional de unidade de rádio 5G

Inatel foi responsável pelo desenvolvimento do hardware da O-RU, que alcançou taxas de transmissão superiores a 1,5 Gbps

Criado para impulsionar uma nova geração de redes móveis abertas e desagregadas no país, o Programa OpenRAN@Brasil concluiu sua segunda fase com a entrega do protótipo funcional da Unidade de Rádio Aberta (O-RU). Responsável pela transmissão e pelo processamento de sinais, a O-RU alcançou taxas de transmissão superiores a 1,5 Gbps durante as avaliações iniciais em laboratório.

O programa é uma iniciativa do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), coordenada pela Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP) e executada em parceria com o Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações (CPQD), o Instituto de Pesquisas Eldorado e o Instituto Nacional de Telecomunicações - Inatel. Os resultados foram apresentados em reunião realizada em 24 de junho, com a participação de pesquisadores, representantes das instituições executoras e do governo.

“Chegamos ao fim da Fase 2 com um resultado concreto e mostramos que o Brasil pode desenvolver tecnologias de hardware e software para Open RAN”, afirmou a diretora-adjunta de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação da RNP, Michelle Wangham.

O Open RAN busca romper com o modelo tradicional das redes móveis, no qual um único fornecedor concentra os equipamentos de infraestrutura. Com a arquitetura aberta, equipamentos e soluções de diferentes fabricantes podem compor uma mesma rede, ampliando a concorrência e reduzindo a dependência de soluções únicas.

Além da unidade de rádio, a segunda fase contou com grupos de pesquisa voltados ao desenvolvimento de aplicações baseadas em inteligência artificial para redes móveis abertas, à criação de ambientes de simulação e à realização de estudos em cibersegurança aplicados ao ecossistema Open RAN.

“Temos gente qualificada no Brasil para desenvolver soluções e equipamentos de ponta. Esse é um feito que precisa ganhar visibilidade. Agora queremos validar essas tecnologias, utilizá-las nos testbeds e demonstrar seu potencial em aplicações reais”, explicou o coordenador-geral de Inovação Digital do MCTI, Rubens Caetano Barbosa de Souza.

Desenvolvimento no Inatel

O Inatel foi responsável pelo desenvolvimento, montagem, integração e validação funcional dos principais módulos de hardware da O-RU. A atuação envolveu o conversor DC/DC, o processamento em banda base, os módulos de transmissão e recepção de radiofrequência, a amplificação de potência, os filtros e a estrutura mecânica do protótipo.

O especialista em desenvolvimento de FPGA do Inatel, Elivander Pereira, explica como diferentes fornecedores poderão participar dessa arquitetura.

“Cada fornecedor poderá disponibilizar um equipamento baseado em uma plataforma aberta ou soluções de software desenvolvidas com códigos abertos ou proprietários”, afirmou.

Para o especialista em desenvolvimento de radiofrequência do Inatel, Luis Gustavo da Silva, o protótipo também amplia a participação brasileira no desenvolvimento de tecnologias para o setor.

“Hoje o Brasil tem a capacidade de contribuir nessa linha de desenvolvimento, mostrando que somos capazes de desenvolver inovação e ter um projeto dessa magnitude desenvolvido aqui no Inatel”, destacou.

A Unidade de Rádio Aberta será apresentada em um vídeo de demonstração durante o Fórum RNP 2026, previsto para agosto, em Brasília. Na Fase 3, o programa deverá ampliar o ambiente de testes para outras regiões do país e integrar os protótipos desenvolvidos ao testbed do OpenRAN@Brasil.