O Inatel sediou a cerimônia de abertura do Programa de Desenvolvimento de Competências em Sistemas Digitais – CI Digital, iniciativa do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), em parceria com a Softex e instituições de ensino e pesquisa de diferentes regiões do Brasil.
Na tarde desta segunda-feira (10), representantes da Universidade Federal de Itajubá (UNIFEI), do Instituto Hardware BR (HBR), do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento Tecnológico em Informática e Eletroeletrônica de Ilhéus (CEPEDI) e da Universidade Estadual do Maranhão (UEMA), instituições que também fazem parte da execução do programa participaram da cerimônia. Após o evento, os convidados conheceram as instalações do Inatel onde serão ministradas as aulas da capacitação.
A abertura contou com dois painéis técnicos. O primeiro abordou o futuro da tecnologia open source para sistemas embarcados utilizando RISC-V, arquitetura que pode colocar o Brasil em destaque no mercado global de semicondutores. O segundo debate tratou do futuro do mercado de trabalho no setor, destacando os desafios da indústria e a demanda por profissionais especializados.
Novos rumos para o Brasil
Na avaliação do diretor do Inatel, Carlos Nazareth Motta Marins, o programa recoloca o Brasil no cenário internacional da microeletrônica. “Esse momento é tão especial para a nossa instituição, o lançamento de um programa que, na minha visão, traz o Brasil novamente para o mapa da microeletrônica mundial”, afirmou.
O CI Digital tem como objetivo a capacitação de profissionais para atuarem no desenvolvimento de circuitos integrados digitais, com foco na formação prática e teórica em linguagens de descrição de hardware, simulação e ferramentas de projeto. O Coordenador-geral de Tecnologias em Semicondutores do MCTI, Alessandro Campos, destacou a importância estratégica da iniciativa: “O CI Digital é um programa do MCTI, de formação de recursos humanos, e desde o primeiro momento foi planejado para suprir uma demanda importante do setor dentro do Brasil, tanto para as indústrias já instaladas quanto para atrair novos projetos de empresas de design”.
O vice-presidente da Softex, Diones Lima, também reforçou o potencial do Brasil diante do novo cenário global. “Nós sabemos que a geopolítica de semicondutores mudou e que o Brasil tem a chance de fornecer mão de obra altamente capacitada para atender à demanda global e não só a nacional”.
Qualificação da mão de obra
A formação de profissionais especializados também é vista como uma forma de reduzir gargalos enfrentados pela indústria. “Um gargalo nas áreas de tecnologia de forma geral, e na microeletrônica em especial, é a mão de obra. Como o programa visa a formar essas pessoas, teremos profissionais preparados para atuar nesse segmento”, explicou Guilherme Marcondes, vice-diretor do Inatel.
O diretor de Incentivos às Tecnologias Digitais do MCTI, Hamilton Mendes, acredita que o impacto do programa vai além da qualificação individual. “No médio e no longo prazo, o que nós esperamos é que esses profissionais possam não só ser um trunfo para que o Brasil atraia investimento de grandes empresas que atuam no setor de TIC, mas também em outras cadeias produtivas”, afirmou.
As aulas do CI Digital no Inatel começam no dia 17 de março, próxima segunda-feira. A expectativa é que a primeira turma, com as instituições envolvidas, forme até 350 profissionais em microeletrônica, contribuindo diretamente para o fortalecimento do setor no país. Na primeira fase da capacitação foram ofertadas vagas para os polos do Inatel, UNIFEI e HBR. Na próxima etapa entram a UEMA e CEPEDI, completando o ciclo do CI Digital.